A tosse é sintoma de inúmeras alterações e, por isso, merece atenção!
Autoria: Adrine Innocente CRF/RS 12618
Farmácia de Manipulação DOSE CERTA – POA/RS (051-33338815)
Medicamentos para inibi-la não são necessariamente o melhor caminho, em especial quando se trata de auto-medicação.
"A tosse é um reflexo natural do aparelho
respiratório que surge como consequência de um
processo irritativo. O mais importante é identificar qual é
o fator causal, ou seja, o que está por trás dela", orienta o
pneumologista Paulo Feitosa, coordenador de pneumologia
da Secretaria de Saúde e do corpo clínico da Amil.
A tosse é uma expulsão de forma não-natural do ar dos pulmões. É importante para o bom funcionamento do pulmão, pois é através desse mecanismo que as substâncias estranhas, como poeiras, bactérias ou até mesmo pedaços de alimentos(quando a pessoa engasga) são eliminados do sistema respiratório.
Semelhantemente ao ato de respirar, o mecanismo da tosse ocorre de forma automática, ou seja, sem a pessoa pensar, entretanto também pode ser feito de forma voluntária. A tosse é um reflexo que protege os pulmões dos efeitos nocivos dos elementos estranhos.
Existem dois tipos de tosse: a tosse produtiva e a tosse seca.
Na tosse produtiva, a secreção pulmonar se movimenta e é eliminada; já na tosse seca, tal secreção parece não existir. Porém é importante ressaltar que a tosse não é uma doença, mas sim, um sintoma de uma condição que requer atenção médica.
Entre as causas mais comuns da tosse estão os resfriados, que duram geralmente até três semanas. Quando já se passou esse período e a pessoa continua tossindo constantemente, a tosse ganha um grau de complexidade e passa a se chamar tosse crônica. Na presença de tosse crônica, há uma necessidade de uma orientação médica para avaliar a complicação do resfriado. Outros fatores também estão ligados à tosse, como o tabagismo, asma, alergias, coqueluche, etc. Alguns medicamentos como o maleato de enalapril, captopril, lisinopril, ramipril, atenolol, entre outros, podem apresentar como efeito colateral a tosse.
Qual é então o melhor xarope para a tosse?
A única terapêutica realmente adequada e eficaz para a tosse é o tratamento da sua etiologia. Raramente é aconselhável tomar 'um xarope para a tosse'. O melhor 'remédio' da tosse consiste na hidratação das secreções, que se consegue fundamentalmente pela ingestão abundante de água.
Existem dois grandes grupos de xaropes para a tosse: os antitússigenos e os expectorantes.
Os antitússigenos atuam inibindo o reflexo da tosse. Quando uma criança toma um xarope destes, perde a capacidade de tossir, isto é, perde um mecanismo de defesa. Como consequência, mais facilmente será infectada pois não consegue remover tão eficazmente os microorganismos, as secreções e os restos celulares que se encontram nas vias aéreas. Estes medicamentos apenas devem ser utilizados nas situações em que não é possível tratar a causa da tosse, quando esta é irritativa (seca e sem expectoração) e perturba muito a criança (interferindo, por exemplo, significativamente com o sono). Os antitússigenos devem ser usados apenas por períodos curtos (menos de uma semana) e somente após avaliação médica e por indicação deste.
Os expectorantes atuam aumentando o volume das secreções e os mucolíticos alteram a produção e consistência do muco. Para as crianças, particularmente aquelas com idade inferior a 1-2 anos, não é aconselhável o uso destes xaropes pois não conseguem eliminar bem as secreções que tendem a acumular e consequentemente agravar a tosse.
Estes dois tipos de xarope também não devem ser utilizados em associação, uma vez que os expectorantes facilitam a eliminação das secreções, enquanto que os antitússigenos impedem a sua expulsão.
Para poder melhorar os efeitos da tosse, é recomendável beber bastante água; tomar líquidos quentes, como chá com limão e mel, para aliviar um pouco os sintomas; e manter os ambientes bem ventilados e umedecidos.
Siga as orientações do seu médico ou farmacêutico, não desparecendo os sintomas consulte-os novamente. Sua saúde é fundamental! |