A MENTE CURA... ou MATA !!!
Lucette Morais CRF/RS 3628
A saúde não é mais atributo de uma profissão médica hiperespecializada. Ela é, antes de mais nada, uma tomada individual de consciência. Procedimentos terapêuticos holísticos experimentalmente consolidados, como a meditação ativa e a respiração consciente e estudos e teorias sobre o efeito placebo, o estresse, os ciclos e biorritmos e tudo que há na literatura médica sobre a influência dos fatores cognitivos e afetivos no surgimento e evolução das doenças orgânicas nos mostra como nem só de remédios e outros recursos da medicina se faz a cura. Devemos apostar no misterioso funcionamento do cérebro humano como um dos principais ingredientes na promoção da cura. Estamos vivendo hoje uma medicina dos sintomas onde a febre ou a pressão alta são avaliados pela sintomatologia e não pelo contexto maior da causa e isto não resolve nada. Procurar as causas e, poder contar com a disponibilidade interna e comprometimento dos pacientes para o tratamento. A partir daí, sim, estabelecem-se as estratégias. O médico funciona como o treinador de futebol, estabelecendo as táticas, mas são os pacientes que entram em campo para jogar e fazer o gol.
O sistema de defesa imunológica está ligado intrinsecamente ao funcionamento neuroanatômico do cérebro. Para ativar o curador interno é preciso exercitá-lo, usando ferramentas como a meditação e a visualização imaginativa, se possível feitos juntos. Isso porque o lado direito do cérebro é ativado quando é chamado a elaborar a realidade de um ponto de vista simbólico. Recursos como o uso da música propiciam essa elaboração. Também sabe-se que o estado de vigília é o estado mais importante para a ativação do lado direito do cérebro, nas ondas beta, alfa, theta e delta. Esses estados de onda são conseguidos com a meditação. Uma das provas da importância do uso da meditação em benefício da saúde é que os seguros de saúde nos EUA costumam oferecer descontos de até 50% para quem a pratica regularmente. Nos últimos 20 anos a cura do câncer estabilizou-se em 50% dos casos. O problema é o crescimento da incidência da doença entre as populações. Então o fármaco não é o mais importante na história da medicina e sim a possibilidade de ver o doente como um organismo integral. Nós somos o que comemos, o que pensamos, o que sentimos. O homem é uma unidade. Não é possível entendê-lo sem um diálogo entre as partes.
Nós perdemos o hábito de ficar calados, parados, em silêncio. E a meditação ajuda a recuperar esses estados. A utilização da música e do relaxamento antes de processos como a quimioterapia ou de uma cirurgia, ajuda a amenizar os efeitos colaterais e as respostas naturais após este tipo de intervenção e é um grande auxílio quando se pretende aumentar as imunidades biológicas. Recursos como a música e a meditação promovem uma mudança de estado mental para um nível mais profundo de consciência e ajudam a alterar a base de funcionamento do cérebro, concentrado no lado esquerdo, para o lado direito. A chave para passar de um nível a outro é sempre um sinal emocional. A dança também é uma ferramenta muito capaz. A escolha de cada recurso é baseada no tipo de paciente. Cada um tem uma maneira própria de olhar uma situação. A técnica escolhida tem de ser capaz de mudar o ponto de vista dessa pessoa e a doença é o sinal que desperta para essa necessidade. Existem pacientes que detestam música, que não têm disciplina para meditar ou que só o fazem por modismo. Nesses casos dificilmente a técnica funciona.
A cura, muitas vezes, consiste em reaprender a viver... “se amanhã eu posso morrer, hoje é a eternidade”. As pessoas vivem no passado ou no futuro, e acham que são eternas. As raízes da vida são as mais importantes, quem compreender isso se cura. O que não te mata te fortalece. Esse é o sentido dessas provas. Todos os dias nosso organismo produz algo em torno de 300 a 400 células defeituosas, que poderiam dar origem ao câncer. Essas células são naturalmente eliminadas. Nosso organismo tem em princípio o poder de matar o câncer. Mas porque às vezes esse mecanismo não funciona? Porque há uma desorganização interna. Devemos lembrar que o sistema imunológico faz parte do cérebro, não existe separadamente. Se há depressão, por exemplo, o cérebro bloqueia a informação enviada ao sistema imunológico. No mundo ocidental esperam-se as pílulas milagrosas, seja para emagrecer ou para transar. Amanhã é capaz de quererem um pílula para pensar. A mudança interior continua sendo o mais difícil de conseguir. No meio médico, quando se ouve falar em cura sem medicamentos, todos dizem que é uma exceção e não se interessam em estudar. A biologia da esperança precisa ser estudada sem preconceitos.
O estresse em si não é nada. O importante é a atitude da pessoa, que vem de sua percepção do acontecimento. É isso que vai interferir em sua defesa imunológica. Um médico ofereceu a uma paciente sua que tinha alergia a rosas uma rosa de plástico e mesmo assim ela teve uma manifestação alérgica. A cura nesse caso está na compreensão do significado da simbologia da rosa. A consciência do paciente do mecanismo da doença impõe, por sua vez, uma mudança total na vida do paciente, e nem todos estão disponíveis a isso. Pode-se dizer que o problema não é eliminar o câncer ou os problemas da vida, mas aprender como enfrentá-los. |