Erva daninha causa danos superiores a R$ 175 bilhões anuais
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13/08/2009 - 07h08
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A agência da ONU aponta que a erva daninha é uma das responsáveis pela fome no mundo. Nos preços atuais, o prejuízo causado pela erva daninha equivale a 380 milhões de toneladas de trigo, o que significa mais que a metade da produção do mundo esperada neste ano.
A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), anunciou no último dia 11 que a erva daninha é uma das responsáveis pela fome no mundo. Segundo o especialista cubano Ricardo Labrada-Romero, a planta indesejada age durante o ano inteiro, sendo considerada a inimiga número um dos agricultores.
*PREJUÍZO*
Uma pesquisa liderada pela organização ambiental Land Care of New Zealand constatou que a erva daninha é responsável por um prejuízo na produção de alimentos global de US$ 95 bilhões por ano, o equivalente a pouco mais de R$ 175 bilhões.
O valor é mais que o dobro do que é gasto com danos causados por insetos, calculado em US$ 46 bilhões, e superior até mesmo à quantia destinada às perdas devido a patologias, estimada em US$ 85 bilhões.
Nos preços atuais, o prejuízo causado pela erva daninha equivale a 380 milhões de toneladas de trigo, o que significa mais que a metade da produção do mundo esperada neste ano.
*COMBATE*
O uso de sementes de boa qualidade e também de um plástico especial para cobrir o solo durante o verão e causar a chamada "solarização do solo", são algumas das alternativas propostas por Labrada-Romero para pôr fim ao ataque dessas plantas indesejáveis.
Nos casos de ervas daninhas marinhas, o especialista recomenda os métodos de controles biológicos. Segundo Labrada-Romero, o uso de alguns insetos nativos da Amazônia, no Brasil, tem sido eficaz para manter o controle das plantações.
*PARA SABER MAIS*
A Embrapa Cerrados , coloca à sua disposição as publicações referentes aos trabalhos desenvolvidos por este centro de pesquisa. Depois de selecionar o tipo desejado na listagem abaixo, será aberta uma relação com informações das publicações dessa categoria e haverá um link para visualização desse arquivo. Com um clique do mouse, o mesmo será aberto na própria página. Após
aberto se quiser salvar uma cópia em seu computador, clique no link abaixo do título da publicação. *Cliqueaqui para vizualizar ou baixar* - Publicação sobre Planta Daninha disponível no portal e-Campo (download livre) http://www.e-campo.com.br//Banco_de_Imagens/Organicos/PDF/Controle.pdf (Rádio ONU/Marco Alfaro,de Nova York/www.e-campo.com.br).
08/08/2009 - 09h08 *Agricultura natural *.
Por volta de 1930, Mokiti Okada iniciou experimentos de campo, motivado pelo princípio da purificação e pelo respeito à natureza, e a partir da observação dos problemas enfrentados em algumas áreas agrícolas japonesas (EHLERS, 1996). Desenvolveu-se assim um movimento de caráter filosófico-religioso e que resultou numa organização conhecida como Igreja Messiânica. Um dos pilares desse movimento foi o método agrícola denominado Shizen Noho, traduzido como o “método natural” ou agricultura natural, que preconiza a menor alteração possível no funcionamento natural dos ecossistemas, alimentando-se diretamente do Zen-Budismo (KHATOUNIAN, 2001).
A formulação do conceito de agricultura natural ocorreu em 1935.
Segundo MIYASAKA & NAKAMURA, 1989; A agricultura natural é definida como um sistema de exploração agrícola que se fundamenta no emprego de tecnologias que procuram tirar o máximo proveito da natureza, isto é, da ecologia e dos recursos naturais locais. Em outras palavras, as técnicas de cultivo de agricultura natural fundamentam-se no método natural de formação do solo,
contando com a força da natureza e com todos conhecimentos técnicos científicos adquiridos ao longo da evolução humana. Assim, preconiza-se na agricultura natural, a adoção de um sistema de exploração agrícola que venha acelerar o processo de reversão do solo desgastado. Essa recuperação do solo é processada durante a fase de exploração agrícola, a fim de que o trabalho de reversão não seja antieconômico.
As idéias de Okada foram reforçadas pelo trabalho do pesquisador fitopatologista, também japonês, Masanobu Fukuoka, que praticamente na mesma época, mas de forma independente, chegou a conclusões semelhantes, defendendo a idéia de artificializar o menos possível o sistema de produção agrícola, mantendo este o mais parecido possível com o sistema natural anterior. Neste sentido, FUKUOKA (1995) estabeleceu os quatro princípios da agricultura natural, que, de acordo com ele, aproximam esta do ponto do “fazer nada”. Estes princípios são: 1) não revolver o solo; 2) não utilizar fertilizantes;
3) não capinar; 4) não utilizar agrotóxicos. A busca, neste caso, é do máximo aproveitamento dos processos que já ocorrem espontaneamente na natureza, com o menor gasto possível de energia. Segundo KHATOUNIAN, 2001; este método constitui uma das mais ricas fontes de inspiração para o aprimoramento das técnicas de produção orgânica.
Apesar de defenderem idéias com base teórica bem semelhantes, verifica-se uma diferença no encaminhamento prático da agricultura natural, por parte dos sistemas de produção idealizados por Okada e Fukuoka. Esta refere-se ao manejo da matéria orgânica do solo, via preparação de composto orgânico, que é tida como importante somente pelos seguidores de Okada. Neste caso porém, restringe o uso de matéria orgânica de origem animal. Com isto recorrem a
técnicas desenvolvidas para a compostagem de vegetais, como também a utilização dos chamados microrganismos eficazes (EM)1 e do Bayodo2 (DE ASSIS, 2005). De acordo com KHATOUNIAN, 2001; mais recentemente, a agricultura natural tem se concentrado na utilização desses microrganismos benéficos à produção vegetal e animal. Esses EM foram selecionados pelo
Professor Teruo Higa, da Universidade de Ryukiu, e são difundidos e comercializados pela Igreja Messiânica.
No Brasil, a difusão inicial desse método esteve ligada à colônia japonesa, em cujo seio a Igreja Messiânica se estabeleceu. Atualmente a Agricultura Natural inclui braços empresariais, voltados à comercialização e à certificação. (KHATOUNIAN, 2001).
1Conjunto de microrganismos (fungos, bactérias e actinomicetos)
especializados na decomposição da matéria orgânica, que são misturados com
farelo de arroz ou de trigo e utilizados na compostagem (MIYASAKA &
NAKAMURA, 1989).
2 Mistura de terra virgem (solo subsuperficial, sem pedras e sem raízes, rico em argila e nutrien tes) e farelo de arroz que é colocado a fermenta.
Para posterior uso no solo com a finalidade de fornecer uma nutrição vegetal equilibrada (MIYASAKA & NAKAMURA, 1989).
Bibliografias consultadas:
KHATOUNIAN, C. A. A reconstrução ecológica da agricultura. Botucatu: Agroecológica, 2001. 348 p.
FUKUOKA, M. Agricultura natural – teoria e prática da filosofia verde. São Paulo: Nobel, 1995. 300 p.
EHLERS, E. Agricultura sustentável: origens e perspectivas de um novo paradigma. São Paulo: Livros da Terra, 1996. 178 p.
MIYASAKA, S.; NAKAMURA, Y. Agricultura natural da MOA. São Paulo: Associação Mokiti Okada do Brasil (MOA)/Departamento de Agricultura Natural, 1989. 64 p. (MOA. Boletim, 1 – Série Agricultura Natural MOA).
DE ASSIS, R. L. Agricultura orgânica e agroecologia: questões conceituais e processo de conversão. Seropédica RJ: Embrapa Agrobiologia, 2005. 35p.
(Embrapa Agrobiologia. Documentos, 196).
(AgriculturaTerra)
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