Fonte Folha de São Paulo - 16/06/2009
*Bicarbonato de sódio contra tumores, sugerem
pesquisas<http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe1606200902.htm>
*
*Testes foram realizados nos EUA, com ajuda de programa de computador criado
por um brasileiro*
DA REPORTAGEM LOCAL
A importância do uso do bicarbonato de sódio para frear o surgimento de
metástases tumorais ganha força com resultados recentes de experimentos
feitos em camundongos. A substância eleva o pH do ambiente tumoral, o que
dificulta a proliferação das células.
"Os testes em animais mostram que o bicarbonato deixa o tumor confinado",
afirma Andres Yunes, pesquisador do Centro Infantil Boldrini, em Campinas,
interior paulista.
Os animais tomaram bicarbonato via oral. A acidez dentro de um ambiente
tumoral (pH mais baixo) torna a doença mais agressiva, como várias pesquisas
já demonstraram.
Com os dois estudos publicados no periódico "Cancer Research", que reuniu
grupos americanos (Arizona e Flórida) e um brasileiro (Boldrini), a hipótese
que associa acidez a metástases fica mais robusta.
A tendência é que ela seja examinada em testes em humanos, que devem ser
feitos nos EUA, no curto prazo.
De acordo com Yunes, que participou dos estudos ao ajudar a desenvolver um
simulador computacional de tumor, existem argumentos para que testes
clínicos com o bicarbonato em humanos possam ser feitos também no Brasil.
O modelo de computador, desenvolvido pelo engenheiro Ariosto Silva, hoje na
Universidade da Flórida, corrobora a importância da acidez.
A ferramenta simulou o crescimento de um tumor de mama em três dimensões a
partir de cenários reais. A substância ideal para neutralizar o tumor teria
de ter um pH por volta de 7. O bicarbonato tem um pH de 6,1. Não é o ideal,
mas serve.
Porém, os caminhos para frear tumores agressivos, diz Yunes, são vários. Uma
saída é interferir diretamente na resistência do tumor à acidez.
"Tudo indica que essa maior resistência é por causa de uma proteína
específica", diz Yunes. Portanto, pode-se pensar em uma droga que aja
diretamente sobre ela. O resultado esperado é que o ambiente ácido, antes
benéfico, acabe agora se voltando contra as células tumorais. *(EDUARDO
GERAQUE)
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Claudiney Morais
Rio de Janeiro - RJ
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