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Coprodução teatral hispano-portuguesa: A dança da vida

Por:http://www.instituto-camoes.pt/encarte-jl/coproducao-teatral-hispano-portuguesa-a-danca-da-vida.html Em:28-11-10

Fonte: http://www.instituto-camoes.pt/encarte-jl/coproducao-teatral-hispano-portuguesa-a-danca-da-vida.html
 
O tema da morte, a partir de uma ótica contemporânea, mas tendo na origem «um trabalho de investigação e encenação à volta do teatro medieval e renascentista» – na explicação da encenadora espanhola Ana Zamora –, esteve na base do espetáculo apresentado pelas companhias Nao d’Amores e Cornucópia, em Segóvia (22-23 de outubro) e Madrid (5-7 de novembro), no âmbito da 8ª Mostra Portuguesa em Espanha.
 
A Dança da Morte/Danza de la Muerte «é uma sucessão de textos e imagens presididas pela Morte como personagem central que, em atitude de dançar, dialoga e arrasta um a um de uma lista de personagens representativos das diferentes classes sociais», explica a encenadora, também responsável pela dramaturgia deste espetáculo com forte componente musical, que contou com interpretações de Luis Miguel Cintra, Sofia Marques e Elena Rayos.
 
«Trata-se de um tema de extensão inabarcável, que ocupa diversos territórios literários, participa de múltiplas manifestações artísticas e está relacionado com o teatro, a música, a dança, o folclore e outros fenómenos artísticos e sociais», acrescenta a diretora da Nao d’Amores.
 
A origem das danças macabras, enquanto fenómeno antropológico e histórico, é «incerta» e dela e da sua difusão no final da Idade Média na Europa e na Península Ibérica se ocuparam especialistas portugueses e espanhóis nas jornadas realizadas, em Segóvia, por altura da apresentação do espetáculo, e em que foram conferencistas Franscesc Massip, professor universitário e critico de teatro, José Augusto Cardoso Bernardes, professor universitário, e João Nuno Alçada, investigador e colaborador da Cornucópia em espetáculos sobre Gil Vicente.
 
O dramaturgo português é precisamente um dos autores dos séculos XV e XVI que, tendo abordado o tema, inspiraram o espetáculo. Fragmentos de obras suas, entre os quais Nau d´amores, que dá o nome à companhia espanhola, assim como outros textos dramáticos anónimos e material lírico, proveniente de diversos cancioneiros da época, foram usados no texto que tem como eixo central La Danza General, do século XV.
 
Mas, como sintetiza Ana Zamora, a sua Dança da Morte «pretende ser de facto uma Dança da Vida, um ritual que nos leve a partilhar esse sentido do efémero, um ato cerimonial para esconjurar a nossa preocupação mais ancestral, aquela que nos torna humanos: a Morte».