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ÍNDICE GLOBAL DA PAZ (IGP) MOSTRA UM MUNDO MENOS PACÍFICO

Por:Fonte: http://www.ecodebate.com.br/2010/06/11/indice-global-da-paz-igp-mostra-um-mundo-menos-pacifico/ Em:13-06-10

 
Segundo o Índice Global da Paz, as taxas de homicídio e crimes violentos aumentaram em 2009, principalmente na América Latina; a África é a região que viveu menos conflitos
 
De acordo com o Índice Global da Paz (IGP), o mundo ficou menos pacífico no ano passado, apesar da queda no número de conflitos armados.
 
Dados divulgados esta semana mostram que as taxas de homicídio e crimes violentos aumentaram em todo o mundo, particularmente na América Latina, onde os níveis de tranquilidade tiveram a maior queda nos últimos 12 meses. Reportagem de Liz Ford, no The Guardian.

O IGP tem sido divulgado anualmente nos últimos quatro anos pelo Instituto para Economia e Paz, grupo de estudo global que pesquisa as relações entre economia, comércio e paz. Os rankings, compilados pelo Economist Intelligence Unit (braço de pesquisa da revista Economist) , são calculados com base em 23 indicadores, como crimes violentos, estabilidade política e gastos militares, relacionados a inúmeros indicadores de desenvolvimento social, como corrupção, liberdade de imprensa, respeito pelos direitos humanos e o número de crianças matriculadas em escolas.
 
Avanços. Os novos dados mostram que a África é a região do mundo que registrou mais avanços em termos de pacifismo, nos últimos quatro anos. O continente africano viveu menos conflitos, os gastos militares diminuíram e as relações com países vizinhos melhoraram. No entanto, a África Subsaariana ainda é uma das áreas menos pacíficas do planeta, com 9 Estados figurando entre os 20 últimos países da lista.
 
O Oriente Médio também vem melhorando sua posição desde 2006, com a redução dos gastos militares e uma melhoria nas relações entre os Estados da região.
 
O Sul da Ásia, contudo, nos últimos quatro anos tornou-se a região mais volátil de todas, principalmente por causa dos conflitos e os abusos dos direitos humanos. Este ano, o Paquistão ocupa o 145.º lugar da lista de 149 Estados e a Índia ocupa o 129.º. O que evidencia, segundo Steve Killelea, fundador do IGP, o impacto da guerra contra o terror.
 
Níveis de paz. Pelo segundo ano consecutivo, a Nova Zelândia foi considerada o país mais pacífico do mundo, com a Islândia no segundo posto, depois de ter caído do primeiro lugar para o quarto no ano passado. O Japão ficou em terceiro. Quinze dos 20 países considerados mais pacíficos da lista são da Europa central e ocidental e todos os países escandinavos ocupam os dez primeiros lugares, o que sugere que países democráticos, estáveis e pequenos são os mais pacíficos. A Grã-Bretanha, em 31.º lugar, foi um dos poucos países a melhorar seu ranking, com os Estados Unidos caindo duas posições, ficando em 85.º, por causa dos seus gastos militares, do grande número de pessoas mantidas em prisões e os índices cada vez mais altos de homicídio e crimes violentos.
 
Pelo quarto ano, o Iraque foi considerado o país menos pacífico do mundo, seguido por Somália, Afeganistão e Sudão. A Rússia ocupa a 143.ª posição. Este ano, alguns outros países entraram na lista do IGP, como Armênia, Gâmbia, Libéria, Serra Leoa e Suazilândia, que ocupam as posições de números 113, 63, 99, 53 e 73, respectivamente.
 
Num sentido, o IGP oferece uma justificativa para a paz – avaliando-a monetariamente em termos de crescimento do comércio e desenvolvimento econômico. Os autores do IGP estimam que o impacto econômico total de um fim da violência poderia ser avaliado em US$ 28 trilhões entre 2006 e 2009. Uma redução de 25% da violência global adicionaria US$1,85 trilhão por ano à economia global.
 
Segundo Steve Killelea, essa soma pagaria a dívida da Grécia, atenderia os requisitos anuais para atingir-se as Metas de Desenvolvimento do Milênio, pagaria o programa de redução de carbono da União Europeu e ainda sobraria alguma coisa.
 
Esse índice com os rankings pode ser bastante útil para governos doadores quando examinam seus programas de ajuda. O governo britânico está reexaminando os países para os quais presta assistência e criou um Conselho de Segurança Nacional para elaborar planos conjuntos para desenvolvimento e defesa. Num discurso na semana passada, o secretário de Desenvolvimento Internacional, Andrew Mitchell, falou da importância de se criar ´sociedades estáveis e pacíficas no exterior´, fazendo uma referência especial ao Afeganistão.
 
´É oportuno examinar o índice para saber como agir no momento de prestar ajuda. No passado, muita assistência foi dada com base em caprichos políticos, para promover alguns governos´, disse ele. ´Você precisa de estratégias e recursos certos para criar um governo que funcione bem e garantir que esses recursos beneficiem toda a população´, afirmou Mitchell.
 
Crescimento. O secretário acrescentou também que a África teve um crescimento econômico importante na última década, o que contribuiu para melhorar o Produto Interno Bruto (PIB) do continente, para uma redução dos conflitos armados e a queda nos índices de mortalidade infantil, como também as taxas de ensino.
 
Mas para Steve Killelea, ainda há um caminho longo pela frente. ´Não devemos esquecer que a África é a região mais violenta do mundo.´
 
O país africano mais bem qualificado no ranking é Botswana, que ocupa a 33.ª posição da lista. Uganda está no 100.º lugar este ano, melhorando seu ranking. Mas Killelea observou que, embora o país tenha melhorado nitidamente em inúmeras áreas, particularmente em termos de crescimento econômico, a instabilidade política, uma piora no respeito pelos direitos humanos e um número crescente de mortes por causa do crime organizado continuam sendo grandes problemas para o país. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO
 
Liz Ford é editora do site Katine, do Guardian.
EcoDebate, 11/06/2010