Yoga Para Nervosos

Autor: José Hermógenes Andrade
Editora: Record/Nova Era
Páginas: 392
ISBN: 850100547-9
Autor da Sinopse: Alberto de Moraes
Trecho do Livro:
Tratamento psicoterápico é o que procura sanear (tornar sã) a mente, fundamentando-se na tese de que as condições de desequilíbrio, desarmonia, impureza e inquietude mentais são responsáveis pelos transtornos físicos. É tratamento comprovadamente eficaz. Sua eficácia demonstra a solidez da tese.
As escolas de psicologia do inconsciente, principalmente a psicanálise e a auto-análise, têm sido as que melhor atendem aos fins psicoterápicos. Têm sido as mais utilizadas pelos especialistas de todo o mundo.
Segundo elas, somos o que somos, fazemos o que fazemos, reagimos como reagimos, sofremos ou gozamos, temos nossas crises e nossos remansos e até mesmo pensamos e cremos, não de acordo com o nível conhecido da mente, mas sim movidos, manobrados e determinados pelas camadas mais profundas, das quais não temos conhecimento claro. Sendo a mente comparada a um iceberg, à parte aflorada, isto é, a mente consciente, é mínima e relativamente incapaz, enquanto a parte submersa, o inconsciente, tem poder incomparavelmente maior. A psicoterapia pela psicanálise e pela auto-análise – tão eficientes –, em linhas gerais, consiste em tornar conhecidos (passar para o consciente ou fazer aflorar) os conteúdos e condições inconscientes e profundos. Tais conteúdos e condições resultam de esquecidas experiências traumatizantes (predominantemente da infância), que, por sua natureza maléfica e poderosa, se expressam através do anômalo comportamento dos nervos e das glândulas endócrinas. Dizem os psiquiatras que a doença é a “somatização” dos conflitos e traumas escondidos, isto é, sua expressão orgânica.
Feita uma faxina do inconsciente, isto é, expulsos de lá os conteúdos reconhecidos como deletérios já tendo esse perdido o anterior poder perturbador, concretiza-se a cura ou libertação do neurótico. Esse processo de limpeza, vale dizer de desmascaramento do adversário escondido, de alívio de carga, de conscientização do ignoto, de extravasar, de elucidação e de catarse, muda a mente e, em conseqüência, rearmoniza, corrige e normaliza os mecanismos auto-reguladores do organismo, daí imediatamente redimirem-se os sintomas. Assim, o neurótico se redime do inferno em que vivia. Diz-se, também, que se corrige a desconfortante “linguagem visceral”. Em outras palavras, desfaz-se a “somatização”.

Esta é a imagem da capa mais conhecida deste livro, de uma edição antiga, editora Record
Quem estuda o Yoga em seus veneráveis textos originais surpreende, em seu aspecto psicológico, atualidade, riqueza e sutileza tão profundas que, não fora a linguagem velada, exótica e simbólica, pareceria obra dos mais refinados e modernos entendidos nos aspectos inconscientes da alma humana. Não tenho receio de concordar com autoridades no assunto e também afirmar que o Yoga é o ancestral comum de todas as modernas escolas de psicologia profunda.
Segundo a psicanalista francesa Maryse Choisy, o próprio Freud fundou a psicanálise em princípios yóguicos, que lhe teriam chegado através de A. Schopenhauer, o filósofo ocidental que mais se inspirou nos clássicos do hinduísmo.
Não é diferente a opinião de Carl Gustav Jung, fundador de um dos mais importantes ramos da psicanálise, que diz: “A própria psicanálise, bem como as diretrizes de pensamento às quais deu origem e que são, na verdade, um desenvolvimento ocidental, são uma tentativa de principiantes, comparados com o que, no Oriente, constitui uma arte imortal”.
M. Bachelard considera o Yoga a “psicologia da verticalidade”.
Realmente. Se a psicanálise, num mergulho, atinge o inconsciente e daí não passa, o Yoga, mediante uma experiência transcendente, chamada samádhi, fim e essência do processo yóguico, diviniza o homem no deslumbramento superconsciente.
O objetivo do processo psicanalítico é a cura de um enfermo. O do Yoga é a redenção humana ou libertação (moksha) da alma individual (jíva).
A psicanálise tem por objeto de estudo a mente enferma. O Yoga estuda e considera o homem integral, isto é, o homem potencialidade do Divino, germe e promessa da Alma Universal, expressão do Absoluto em via de aperfeiçoamento e atualização.
Para o psicanalista ortodoxo, o inconsciente é um depósito de experiências dolorosas, um porão de escória reprimida pela convivência com a sociedade que não a aceita. O Yoga considera o inconsciente apenas uma zona da mente onde o consciente não chega, não sendo fatalmente de má qualidade, formado exclusivamente de negatividades recalcadas. O inconsciente tem, em si, também luzes, tendências, impressões, energias boas, potencialidade infinita e qualidades divinas.
Sendo uma psicologia do inconsciente, o Yoga explica a vida consciente, em parte, como conseqüência do inconsciente. Todas as nossas experiências, fatal e fielmente, são gravadas numa espécie de “fita de gravação”, através de ininterrupta introjeção. O que introjetamos ou gravamos nos plásticos abismos do inconsciente são: vásanás (tendências, inclinações, impulsos, motivações...) e samskáras (impressões, representações, imagens, juízos...). Lá do fundo, esse conteúdo comanda o nosso comportamento dito voluntário e consciente; comanda o que somos, queremos, sentimos, dizemos, fazemos e pensamos.
Conforme as introjeções que fazemos no curso da vida, tal será nosso destino. Quem introjeta espinho, conseqüentemente será espetado. Essas noções de vásanás e samskáras dão uma explicação psicanalítica à conhecida Lei do Karma.
Assim esclarecidos, deveríamos, por interesse profilático, selecionar as impressões e tendências que introjetamos, com o mesmo critério com que um dietista escolheria sua refeição num cardápio, visando a que, nos dias de porvir, possam elas (as escolhidas) operar em proveito da saúde e não contra ela; em direção à liberdade e não à servidão; em prol de nossa felicidade e não em seu prejuízo.
A indiscriminada, inconsciente e indisciplinada introjeção de vásanás e samskáras polui, adoece, corrompe, perturba, vicia e infelicita a mente. O yogin, sabendo disso, procura acautelar-se. Evita fisicamente as que pode e, mentalmente, aquelas que, fisicamente, lhe são impostas pelo ambiente.
Seu cuidado não é apenas na área da higiene mental, mas também na fase da cura.
Nesse particular, em que consiste a cura?
Em depurar, liberar, aclarar e aprimorar o mental. O Ashtánga Yoga ou Yoga dos oito componentes, codificado pelo sábio Pátañjali, é uma forma técnica de sanear a mente, não a mente que costumamos chamar de doente, mas a mente que costumamos chamar de normal e que, em verdade, é “normalmente” incapaz para a felicidade e para o alcance da Verdade. Agitada como é, tecida de conflitivos desejos, encabrestada pelo egoísmo, sacudida de paixão, obcecada pelo irreal e condicionada a fatores múltiplos, o que chamamos de mente normal não deixa de ser, inclusive, um obstáculo para a percepção da Verdade. Essa só é possível quando a mente impura cessa de manifestar-se, isto é, quando emudecem seus vrittis (manifestações, fenômenos, movimentos, vacilações...). Levada a mente à plena quietude, ocorre a comunhão com o Infinito; dá-se o samádhi. Tal é o objetivo da ascese de Pátañjali. Tal foi o caminho seguido e ensinado por S. João da Cruz.
Assuntos Abordados nesta obra:
Medicina e Saúde: Yoga Para Nervosos. Tensão. Relax. Cura.
Yogaterapia. Frentes. Sâdhana. Sexo e Vida.
Higiene Estética. Artes. Cromoterapia.
Técnicas. Prática. Nutrição: Alimentação sadia. |