El Niño do futuro vai trazer seca ao Sudeste do Brasil
http://openx.ambientebrasil.com.br/www/delivery/ck.php?oaparams=2__banner
id=1__zoneid=2__cb=8c4e7ef141__oadest=http%3A%2F%2Fwww.ambientebrasil.com.
br%2Fdivulgacao%2Fdicionario.html
25 / 09 / 2009
O aquecimento global tem grandes chances de mudar a dinâmica do El Niño, um
dos fenômenos periódicos mais importantes para o clima da Terra. A forma
mais atípica do fenômeno pode se tornar cinco vezes mais comum, trazendo
consequências como secas no Sudeste e no Sul do Brasil.
O declínio do El Niño convencional e a ascensão do chamado El Niño Modoki
(palavra japonesa que significa "parecido, mas diferente") foi previsto em
simulações de computador, detalhadas em artigo na revista científica
"Nature" de quinta-feira (24).
Sang-Wook Yeh e seus colegas do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento
Oceânico da Coreia do Sul assinam a pesquisa, que usou os dados históricos
sobre o El Niño (de 1850 até hoje) e as projeções sobre o aquecimento para
avaliar como será o fenômeno neste século.
"Desde os anos 1980, o El Niño Modoki já está aparecendo com mais
frequência. Yeh e seus colegas mostram que é viável associar isso com o
aumento da temperatura que vem acontecendo desde então", explica Karumuri
Ashok, do Centro Apec do Clima, na Coreia do Sul, que comentou a pesquisa a
pedido da "Nature".
*Mudança de estilo* - A diferença entre os dois tipos de El Niño tem a ver
principalmente com a região do oceano Pacífico que passa por um aquecimento
anormal de suas águas, desencadeando os efeitos do fenômeno. Enquanto o El
Niño tradicional está ligado às águas relativamente quentes no leste do
Pacífico, perto da costa peruana, o Modoki aparece na região central do
oceano - daí outro de seus apelidos, "El Niño da Linha Internacional da
Data", por estar perto da linha imaginária usada para marcar a mudança de um
dia para outro nos fusos horários.
Por enquanto, o El Niño Modoki fica muito atrás da forma normal do evento em
número de ocorrências - apenas sete contra 32 casos nos últimos 150 anos. O
aumento projetado na nova pesquisa indica que o Modoki poderia se tornar tão
comum quanto a forma normal do El Niño. "O Nordeste do Brasil vai receber
mais chuva do que o normal, impacto que é o contrário do que ocorre no El
Niño tradicional", diz Ashok.
Já o Sul e o Sudeste terão menos chuva do que o normal, outra inversão da
forma típica do fenômeno. Isso, é claro, se mais pesquisas confirmarem as
simulações. "Lembre-se de que os modelos ainda não são perfeitos", afirma o
pesquisador. *(Fonte: Reinaldo José Lopes/ Folha Online) *
|