Aquecimento global vai além de previsão pessimista, diz ONU
25 / 09 / 2009
Secas da Austrália ao sudoeste americano, águas mais ácidas nos oceanos e
geleiras derretendo-se são sinais de que o ritmo da mudança climática está
superando até mesmo os cenários mais pessimistas traçados há alguns anos por
cientistas, diz um relatório das Nações Unidas divulgado nesta quinta-feira
(24).
Glaciares das montanhas da Ásia derretem-se a uma taxa que poderá vir a
ameaçar o suprimento de água, irrigação e energia hidrelétrica para até 25%
da população mundial, disse o Programa das Nações Unidas para o Meio
Ambiente (Pnuma).
"Estamos nos dirigindo para mudanças muito graves em nosso planeta, e
precisamos nos conscientizar da seriedade disso, para apoiarmos as medidas
que precisam ser adotadas", disse o diretor-executivo do Pnuma, Achim
Steiner.
O Compêndio de Ciência da Mudança Climática 2009 avalia 400 estudos
científicos publicados em periódicos com revisão pelos pares ou por
instituições de pesquisa desde a publicação do mais recente relatório do
Painel Intergovernamental para a Mudança Climática (IPCC) em 2007.
Líderes mundiais como o presidente chinês Hu Jintao e o americano, Barack
Obama, discursaram em uma conferência sobre mudança climática realizada na
ONU no início da semana. Cerca de 190 países tentam chegar a um acordo sobre
o combate ao fenômeno. Um novo tratado internacional deve ser assinado em
Copenhague em dezembro.
O aumento nas concentrações de gases causadores do efeito estufa elevou a
preocupação dos cientistas de que um aumento nas temperaturas globais de
1,4º C a 4,3º C, acima dos níveis pré-industriais, é provável, diz o relatório.
Isto está acima da faixa de 1º C a 3º C que muitos pesquisadores veem como o
nível capaz de levar ao derretimento total do Oceano Ártico no verão, e ao
desaparecimento das geleiras do Himalaia e da Groenlândia.
Além disso, o aumento na absorção do dióxido de carbono pelos oceanos está levando a uma acidificação dos mares mais veloz que o esperado. Por exemplo, águas capazes de corroer substâncias nas conchas de animais marinhos "já aparecem ao longo da costa californiana, décadas antes da previsão dos modelos existentes", disse o relatório. A acidificação dos oceanos poderia ameaçar os animais marinhos que têm conchas e os recifes de coral, que por sua vez têm um importante papel ecológico para várias outras espécies. *(Fonte: Estadão Online)*
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