Extrato - Três Continentes... Um Só Amor
“...Nesse vai e vem das ondas, balança muita dor e saudade daqueles tempos em que corações foram separados e, é justo que uma dessas cartas apareça no livro testamento à unificação das dores e da língua.
Imaginemos então que a escrava – através de uma janela multidimensional, ou qualquer estrada paralela - esteja neste tempo de agora e, possa enviar via internet a sua dor ao amado querido, do outro lado do oceano.
Querido Amor...
Remetente: Sou eu que, por entre palavras e versos, no cosmos de tua alma trouxe à tona tua arte. Aquela que serve de manto para teu rosto em dias de sol forte no deserto de tanto chão a trilhar sem importar se, o medes em “megabits” ou em minutos de sensações, pois que o espaço dos favoritos é pequeno demais para um sentimento assim. Depois de criar raízes... Não há mais a necessidade de guardar na memória, já que faz parte do contexto de vida, sem muita explicação...
Destinatário: És tu, que entre Angola e o Congo... Entre o teu coração e o mundo que te rodeia, escalas o sonho do poeta-menino, carente de amor e de paz, talvez um porto para repousar teus quereres simples e suaves como o vôo dos pássaros no Mussulo. Simplesmente tu e o menino, ainda que com cabelos (poucos), mas clareando e denunciando a idade física. "Nem tudo que alimenta passa pela carne", mas passa sempre pela alma mesmo que, entre os dois corações esteja o Atlântico... ainda que as promessas em verso, não te convençam tanto assim, ainda que teu ciúme extrapole minha paciência, ainda que... Ainda que, nos mantenhamos nesse sentir, pois que não depende mais de nós... e entregue está, a quem realmente comanda o barco.
Aprendiz Fiel, equacionando fórmulas que permitam chegar ao espaço maior de teu coração sem muita ”autenticité” já que, o AMOR é arma antiga nos reinos da Terra e dos Céus e, não adianta fugir se já se tomou o veneno - a dramaticidade das almas grita canções para, apagar esse silêncio entre os dois mundos. Falam países entre nós, mãos em busca do outro lado da margem do oceano - talvez uma pontinha brasileira chegue misteriosamente ao Zaire ou quem sabe, ao teu peito... na areia da praia deserta ... Nestes dias que passam, para que possa te dizer o quanto sinto saudade.
Aluno-Professor, contigo vivo o mundo nos subterrâneos da alma africana na busca do caminho, para espumar sorrisos frente às dificuldades - perseguindo as soluções com a sabedoria peculiar dos deuses. E sonho com a transformação dos aterros industriais em paraísos, em homenagem à natureza, à vida, ao amor pela natureza que Deus nos deixou por aqui e, por aí... África-Mãe grávida de tanto sentimento, de dor e de amor - coração sem cor, sem fronteiras - infinito em amor cúmplice do saber, abortando à distância as margens de cor rosa para, não dar o que falar aos negros-brancos, aos brancos-negros, aos mulatos sem cor - apenas homens.
Alma Gêmea, não se vê; apenas se sente. Por dentro como que, rasgão nas veias da alma serena - alimento do vulcão. Os sibilos ao vento vão dando a resposta ao canto da presa que teima em fugir, mas a luz mostra seu fim... Em teus braços um dia, sem máculas, sem detalhes a explicar, o tempo de solidão é grande e não há mais dimensão para preencher o peito...
Eleita das Musas, eis-me aqui e aí também. Sabes bem disso! O novo dia no memorial da esperança do povo está em palco, a cena já iniciou e estamos com todo o elenco em cena. O decreto já foi lido pelo escrivão do reino do Congo... as vozes juntam-se à voz antiga, para que “clickes” o amém final. Não precisas dizer mais nada. Já entendi a mensagem, mesmo que venha como "... pode ser que eu não queira, talvez nem possa" o medo que tens da noite, já foi expresso por teus gritos sufocados em meus choros na agonia da morte, pelo meu medo da vida na esperança de ter-te em mim...
Silencioso Senhor, nada te falta... Nem a perspectiva do regresso, nem a fuga, nem o afago de meu amor por ti. Ainda que o "Norton-vírus" inexistente, mas criado pela mídia dos medicamentos... Como negar-te se somos a mesma chama, que chama o tempo todo dentro de nós.
A Humilde Canoa vai e volta entre as duas margens da vida, enquanto o navio que te aprisiona na insaciável espera quiçá, espere que possas dar o primeiro passo rumo à distante praia para que, a distância seja apenas um passo... Com amor.
Obrigada a quem achou a carta e fez com que chegasse ao destinatário, apesar do endereço estar em código e sem selo de reembolso, mas como a "perda" durante o transe foi apenas virtual, restabelece-se o contacto entre os dois corações-amantes.
Assinado: Amante à procura do Amor!”
Fonte: Três Continentes... Um Só Amor!
Autor: Lucette Morais
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